* Alencar Santana Braga
 
O Brasil assistiu durante a madrugada, nesta quinta-feira (12), o Senado Federal avalizar o Golpe de Estado arquitetado pelas elites financeiras e pelo agronegócio explorador, pelos monopólios da mídia, grandes empresários e setores da elite brasileira, apoiados por derrotados nas últimas quatro eleições presidenciais.
 
Um processo conduzido inicialmente por Eduardo Cunha, que responde por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e quebra de decoro parlamentar e legitimado por um Supremo Tribunal Federal acovardado e repleto de pré julgamentos, levando o país a um governo dos “sem voto”, disposto a fazer uma coalizão com o projeto derrotado e com os setores mais retrógrados do país, visando implementar uma agenda neoliberal de caça aos direitos e as conquistas sociais dos últimos anos.
 
Com acusações sem fundamento, e aplicando um peso desproporcional aos que chamaram de crimes de responsabilidade fiscal, conseguiram plantar na sociedade um ambiente de aparência institucional, mas viciado em sua origem e atentando contra a Constituição.
 
Dilma foi afastada por um Congresso Nacional repleto de velhos caciques da política, muitos acusados de corrupção e respondendo processos na justiça.
 
O próprio vice-presidente, e chefe do Golpe, Michel Temer, está inelegível por decisão do Tribunal Eleitoral.
 
Durante a articulação do golpe, os conspiradores deixaram clara a sua arrogância quanto às escolhas do povo e, mesmo antes do afastamento de Dilma, anunciaram seus pacotes de “sacrifício”, principalmente demonstrando disposição a reverter em tempo recorde as linhas gerais de um programa de nação que tirou milhões de brasileiros da miséria, levou jovens negros e pobres às universidades, garantiu moradia a quem antes vivia de aluguel ou em condições desumanas e médicos para 50 milhões de brasileiros e brasileiras e regiões miseráveis e das periferias das grandes cidades.
 
Dessa forma, caminhamos novamente para o país de poucos, dos privilégios, da impunidade, da repressão e da exclusão.
 
Cabe a nós, povo brasileiro, resistir a todo esse processo, defender a democracia e paz, bem como as liberdades individuais e coletivas e nossas conquistas.
 
Não devemos nos sentir derrotados, pois temos lado, programa e força para lutar por nosso país e por nosso povo.
 
Como falou a Presidente Dilma, em seu pronunciamento: “A luta pela democracia deve ser constante.”.
 
 
* Alencar Santana Braga é Deputado Estadual (PT-SP) e Presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa. 
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