A segunda epopeia de Lula

Por Alencar Santana Braga*, 7 de maio de 2022

Quando nasceu em Garanhuns, em outubro de 1945, o menino batizado de Luiz Inácio da Silva jamais poderia imaginar que no futuro seria tão amado e respeitado como o maior presidente da história do seu país. Quando Lula nasceu, a cada mil crianças nascidas no Nordeste, 264 morriam antes de completar um ano de vida. Na região que deu ao mundo o mais bem-sucedido líder sindical do hemisfério ocidental, a mortalidade infantil era ainda mais brutal e, sem saber sequer o que teria para comer no dia seguinte, o filho da Dona Lindu não poderia sequer imaginar que seria o líder de um processo político que tirou da miséria mais de 30 milhões de pessoas.

O pequeno e tímido garoto, que antes de chegar aos 10 anos de idade cruzou o país num caminhão pau de arara em busca de uma vida melhor, tornou-se o nome mais conhecido na nação que se conformava em ser apenas “o país do futuro”. Mais do que isso, aquele garoto, quando adulto, fez a sexta maior população do planeta sonhar com uma vida que ele não era capaz de idealizar quando estava na escola, precária como a tudo na vida de gente da classe social dele naquela época.

A trajetória de Luiz Inácio, digna de filme, música, teatro, livro e quaisquer outras artes, poderia ser mais do que suficiente quando ele se despediu da presidência, em 2010, empunhando um recorde histórico de 87% de aprovação popular.

O destino quis, porém, um segundo ato, como estampou na capa a revista Time. Ou uma segunda epopeia, como prefiro dizer, diante da grandiosidade do “roteiro” que testemunhamos desse novo momento de protagonismo daquele que tem o maior número de títulos Doutor Honoris Causa entre os mais de 7 bilhões de seres humanos.

Após decidir “pendurar as chuteiras” da política institucional, Lula passou a ser perseguido, caluniado e visado pelos setores que não aceitam repartir o bolo da riqueza do país com o conjunto da população, sobretudo com os mais pobres.

Criaram uma operação judicial que foi erguida ao panteão dos “paladinos da ética e da moral” ao ser comandada por ídolos dos pés de barro elevados à categoria de heróis nacionais. Na verdade, eram criminosos que usaram a estrutura do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal para fazer política e fechar o caminho para o retorno da esquerda ao governo, em 2018, após o Golpe de 2016.

Afogaram a Justiça brasileira num mar de lama que envolveu tortura de réus, fabricação de delações fajutas e mentirosas, uso de “provas” e denúncias forjadas, aceleração dos julgamentos e, acima de tudo, conluio entre a acusação (procuradores) e o juiz, hoje um morto-vivo em busca de alguma relevância política.

Prenderam, violando a Constituição, um homem inocente antes que se esgotassem os seus recursos de apelação e fosse concluído o seu julgamento. Jogaram este homem com mais de 70 anos numa masmorra fria e úmida durante mais de 500 dias. E impediram que ele recebesse várias visitas, inclusive de cunho religioso, outra garantia constitucional desprezada.

Proibiram esse cidadão de acompanhar o enterro do irmão e do neto de 4 anos. Pressionaram seus filhos para tirar-lhes o patrimônio e as suas fontes de renda. Em mensagens que expuseram o caráter vil dos seus algozes, tripudiaram até da falecida companheira de toda uma vida, a saudosa Dona Marisa Letícia.

E apesar disso, e contra as famílias mais ricas e os meios de comunicação mais poderosos, que tentaram assassinar a sua reputação, Luiz Inácio Lula da Silva deu a volta por cima e é hoje o grande favorito para ser eleito novamente presidente do Brasil.

Outra vez ele simboliza a esperança. Mas, desta vez, Lula terá que vencer não apenas o medo, mas também a mentira, o ódio e o rancor dos seus adversários. Uma epopeia foi muito pouco para Lula. Ele vai para a segunda.  E a caminhada, a partir deste sábado, 7 de maio, quando faltam 148 dias para a eleição, ganha um novo significado. Lula vai disputar a eleição mais importante dos 200 anos da nação chamada Brasil. Quem vai se juntar a ele nessa jornada? Eu vou!

*Alencar Santana Braga, 46, é advogado e deputado federal (PT-SP). É o Líder da Minoria na Câmara dos Deputados. Foi vereador em Guarulhos e deputado estadual, sempre pelo PT.

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